Tambor Rachado

Ordem Velada

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    Chamaram de sombra o que não sabiam nomear
    Selaram a dúvida com fogo e cetro
    Quando o som fugiu dos corredores santos
    Construíram um altar pra silenciar
    Mas a batida sobreviveu nos ossos
    E onde queimaram o símbolo
    A rachadura virou boca
    E falou

    O tambor não reza
    O tambor não curva
    O tambor lembra
    O que fizeram calar

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    Toca
    Mesmo rachado, toca
    Mesmo exilado, vibra
    O tambor é a língua esquecida
    Que ninguém traduziu, mas ninguém apagou
    Toca
    Mesmo em segredo, toca
    Mesmo no chão, respira
    O tambor é a carne sem dono
    E ela grita onde tudo mentiu

    Cobriram o vazio com pano sagrado
    Ergueram muralhas de palavras sem rosto
    Mas há um som que vive por trás do silêncio
    E treme quando chamam de falso o mistério
    O tambor é aquilo que não coube nos livros
    É o ritmo dos nomes varridos do templo
    É a fala sem templo
    O verbo sem dono
    O corpo que dança onde tentaram morrer
    Não há doutrina onde a pele se rompe
    Não há prece que apague o som antigo
    O tambor não serve vestes nem coroas
    Ele serve ao que arde no esquecimento

    Toca por tudo que chamaram de errado
    Toca por tudo que queimaram no escuro
    O tambor rachado ainda pulsa
    E o que pulsa é o que sobreviveu ao muro

    Información de la canción

    Composición: Lucas Polonia

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