Enquanto ele entregou o que eu precisava
Eu clamava, reclamava, querendo o que me faltava
Enquanto ele descansou na tempestade
Eu me preocupava, tinha pressa, corria e nunca chegava
Enquanto ele lá na cruz perdoava
Eu guardava mágoa, rotulava
Até uma pedra eu atirava
Enquanto ele alimentou uma multidão
Eu gastava em vão, fechava a mão
Com medo de perder o pão
Eu não tenho nada de bom, nada de mais, nada a oferecer
E mesmo assim ele quer meu coração
Até sangrou pelo que fiz
Eu não tenho nada de bom, nada de mais
Não fiz nada por merecer
E mesmo assim ele tomou meu coração
Quando morreu por mim naquela cruz
Enquanto ele sentava com os excluídos
Eu apontava, acusava, discursava sobre princípios
Enquanto ele lava os pés dos seus amigos
Eu fechava a porta, meu coração inflado de orgulho e razão
Enquanto ele falava de eternidade
Eu me atormentava com muito medo
De não sustentar minha vaidade
Enquanto ele cuidava de enfermidades
Eu estava frustrado, indignado
Por não ter os meus agrados
Eu não tenho nada de bom, nada de mais
Nada a oferecer
E mesmo assim ele quer meu coração
Até sangrou pelo que fiz
Eu não tenho nada de bom, nada de mais
Não fiz nada por merecer
E mesmo assim ele tomou meu coração
Quando morreu por mim naquela cruz