Sobre os Olhos dos Cavalos

Paulinho Mocelin

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    Quanta fumaça desperdiçada parceiro
    Quantas lembranças de tropeços e pialos
    O ser humano seria bem diferente
    Olhando a vida com os olhos dos cavalos

    Os seus desejos não teriam mais sentido
    Os poderosos desceriam de seus tronos
    Pastando livre na plenitude do campo
    Reconhecendo Deus como seu próprio dono

    A rebeldia era domada num instante
    Sobre o barbante no aperto da barrigueira
    Nem os mais loucos são maiores que a maneia
    Se entregariam antes de abrir a porteira

    Mesmo humanos somos os mesmos cavalos
    Que pelos séculos vem sendo aprisionados
    Muitos não sabem mais no fundo ainda temos
    Que prestar contas com quem fez o planetário

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    Tangendo a regra numa receita gaúcha
    Nesta rebusca de ver o mundo por diante
    Bem lá no fundo a resposta no concentrar
    Sempre a matear com o pensamento distante

    Se nesta tropa sou só mais um dos cavalos
    Que relutou e sentiu o peso das púa
    Como instrumento de uma mensagem charrua
    Verdade nua Tupã mandou entregá-lo

    Sobre a fumaça que se enxerga mais profundo
    Lá onde os olhos não alcançam por vaidade
    A humanidade vai ficando distorcida
    Nesta corrida sem partida e sem chegada

    Nunca te esqueça que no fundo assim por certo
    O objeto nunca se faz necessário
    Quando o cenário fica grande o bem opera
    Nesta esfera de patrão e operário

    Não tenha medo e segue com a mesma força
    De um cuiúdo puro sangue alucinado
    Mas não te esqueça que a velhice um dia chega
    Nos obrigando a procurar nosso banhado

    Mas nem a morte findará tua existência
    Se a paciência for maior até o fim
    Quem crer em mim quando descer ao chão gelado
    De volta a capim para de novo ser pastado

    Se nesta tropa sou só mais um dos cavalos
    Que relutou e sentiu o peso das púa
    Como instrumento de uma mensagem charrua
    Verdade nua Tupã mandou entregá-lo

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    Composition: Paulinho Mocelin

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