Rasgado de Pulperias

Paulo Mattos

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    Venho repensando a vida que há muito tempo esmero
    Peleando cos quero-quero na cruzada das campinas
    À pesito me governo lutando pelo meu pasto
    Trago o cavalo de arrasto nas andanças peregrinas

    Sou índio que não se adorna eu assumo e não me acanho
    Só de vez em quando um banho me pega de relancina
    Meu sombreiro bem tapeado me serve de travesseiro
    Nem reparo no mau cheiro que me entranha pelas crina

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    (A vida de um tropeiro não pede muito capricho
    Reveza campo e bolicho nestes fundos de rincão
    Desenha o Rio Grande a casco, lidando com as gadarias
    Rasgado de pulperias e de amor pelo seu chão)

    Quando me alivia uns troco eu torro numa noitada
    Campeio na madrugada uma sarna pra me coçar
    Mas cedito me levanto já com o baio no costado
    Que anda meio esgualepado mas pronto pra trabalhar

    E na tropeada da vida vou deixando meu legado
    Não me paro de rogado se a xina me enfeitiçar
    Apesar de minha estampa se a fêmea não for lindaça
    Dô de mão numa cachaça e me arranco pra outro lugar

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    Composition: Paulo Mattos

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