Em Cada Nova Recolhida

Pepeu Gonçalves

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    Éguas gateadas bem formadas na mangueira
    A recolhida veio cedo da invernada
    E a melodia das esporas cantadeiras
    Vai acendendo o que restou da madrugada

    A cuia guarda os meus segredos mal dormidos
    Junto à chaleira ao pé do fogo recostada
    E o mate sonha nos meus sonhos distraidos
    Quando se deixa com a erva já lavada

    Sobre os arreios meu viver se perpetua
    E enchergo a alma da querência galponeira
    Num João-barreiro que chegou há muitas luas
    E ergueu seu rancho no palanque da porteira

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    Talvez por isso em cada nova recolhida
    Dentre a mangueira neste velho ritual
    Junto comigo no tenteio desta lida
    Sinto o Rio Grande agarradito no buçal

    Quando o rebanho vem na dobra da coxilha
    Trazendo os velos invernais para a estação
    Mal comparando vejo nuvens andarilhas
    Que se perderam do horizonte para o chão

    E o céu campeiro que acordou meio nublado
    Sangrando o dia para as luzes do arrebol
    Em pouco tempo foi ficando pelechado
    E abriu porteiras para o vento e para o Sol

    A vaca esconde a cria nova na macega
    E eu vejo a vida que renasce no capim
    O atavismo que não morre e não se entrega
    Num touro pampa afiando a guampa num cupim

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    Composition: Rodrigo Bauer and Marcello Caminha

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