É fácil sorrir no espelho Difícil é encarar o reflexo Me escondo atrás de tela, toque falso, prazer vazio A cada clique, mato mais um pedaço do que eu queria ser Dizem que é normal, que todo mundo faz Mas ninguém fala da culpa que grita depois do prazer Me olho depois e sinto nojo Mas amanhã eu volto, como sempre volto Prometo parar toda noite E quebro a promessa antes do meio-dia Solidão não é estar sozinho, é saber que ninguém vê As guerras que eu travo em silêncio, os monstros que alimento Todo mundo diz força fé vai passar Mas se vissem o que eu sou quando ninguém tá olhando Talvez virassem as costas Talvez me chamassem de fraco Ou pior, fingissem que tá tudo bem Como se meu grito não rasgasse o peito Você acha que me conhece? Não conhece nem metade Não vê o nojo, não vê o ódio Não vê o menino implorando pra alguém segurar a mão Se você me visse de verdade Ia correr ou ia ficar? Se visse o lixo que escondo por dentro Ainda diria que quer me salvar? Se você me visse de verdade Sem máscara, sem filtro, sem luz Ia segurar minha mão Ou soltar como todo mundo já fez? Eu odeio a paz que vocês vendem Enquanto o caos dentro de mim explode Odeio o vai ficar bem automático De quem nunca olhou no meu olho de verdade Tô cansado de sorrisos educados Enquanto por dentro eu grito por socorro Mas ninguém ouve E talvez nem queira ouvir Eu só queria ser forte Mas até isso virou peso A cada erro, eu me aponto o dedo Como se eu fosse um caso perdido Se você me visse de verdade Com tudo que ninguém aguenta ver Você ainda ficaria? Ou me largaria também? Se você me visse de verdade Por trás do sarcasmo, do riso forçado Ia enxergar o menino quebrado? Ou só mais um fracasso calado? Talvez um dia alguém veja E não vire o rosto Talvez um dia Eu também veja valor em mim