Cifra Club

Homem na estrada

Racionais MC's

Cifrado: Principal (guitarra y guitarra eléctrica)
tono: Dm
[Intro] Dm  Am  Dm  Am

Riff

   Dm
E|--9/10--10-10-x--10-10------10-10-x-------|
B|--9/10--10-10-x--10-10------10-10-x-------|
G|--9/10--10-10-x--10-10--10--10-10-x-------|
D|-11/12--12-12-x--12-12--12--12-12-x-------|
A|------------------------------------------|
E|------------------------------------------|
    ↓      ↓  ↑ ↓   ↑  ↑   ↓   ↓  ↑ ↓  

   Am
E|-4/5--5-5-x--5-5-----5-5-x----------------|
B|-4/5--5-5-x--5-5-----5-5-x----------------|
G|-4/5--5-5-x--5-5--5--5-5-x----------------|
D|-6/7--7-7-x--7-7--7--7-7-x----------------|
A|------------------------------------------|
E|------------------------------------------|
   ↓    ↓ ↑ ↓  ↑ ↑  ↓  ↓ ↑ ↓   

[Primeira Parte]

    Dm
Um homem na estrada recomeça sua vida

Sua finalidade: a sua liberdade
Am     
   Que foi perdida, subtraída

E quer provar a si mesmo que realmente mudou
        Dm
Que se recuperou e quer viver em paz 

Não olhar para trás, dizer ao crime: nunca mais!
Am
   Pois sua infância não foi um mar de rosas, não

Na FEBEM, lembranças dolorosas, então
Dm
   Sim, ganhar dinheiro, ficar rico, enfim

Muitos morreram sim, sonhando alto assim
Am
   Me digam quem é feliz, quem não se desespera

Vendo nascer seu filho no berço da miséria
Dm
   Um lugar onde só tinham como atração
                                       Am
O bar e o candomblé pra se tomar a bênção

Esse é o palco da história que por mim será contada

Um homem na estrada

( Dm  Am  Dm  Am )

[Segunda Parte]

        Dm
Equilibrado num barranco, um cômodo mal acabado e sujo
                                       Am
Porém, seu único lar, seu bem e seu refúgio

Um cheiro horrível de esgoto no quintal

Por cima ou por baixo, se chover será fatal
      Dm
Um pedaço do inferno, aqui é onde eu estou

Até o IBGE passou aqui e nunca mais voltou
Am
   Numerou os barracos, fez uma pá de perguntas

Logo depois esqueceram, filha da puta!
   C#m
Acharam uma mina morta e estuprada

Deviam estar com muita raiva (mano, quanta paulada!)
      
Estava irreconhecível, o rosto desfigurado

Deu meia noite e o corpo ainda estava lá

Coberto com lençol, ressecado pelo Sol, jogado

O IML estava só dez horas atrasado

Sim, ganhar dinheiro, ficar rico, enfim

Quero que meu filho nem se lembre daqui

Tenha uma vida segura, não quero que ele cresça

Com um oitão na cintura e uma PT na cabeça

E o resto da madrugada sem dormir, ele pensa

O que fazer para sair dessa situação?

Desempregado então, com má reputação

Viveu na detenção, ninguém confia não

E a vida desse homem para sempre foi danificada

Um homem na estrada

Dm  Am  Dm                     Am
           Um homem na estrada

[Terceira Parte]

     Dm
Amanhece mais um dia e tudo é exatamente igual

Calor insuportável, 28 graus
       Am
Faltou água, já é rotina, monotonia

Não tem prazo pra voltar, há! Já fazem cinco dias
Dm
   São dez horas, a rua está agitada

Uma ambulância foi chamada com extrema urgência
Am
   Loucura, violência, exagerado

Estourou a própria mãe, estava embriagado

Mas bem antes da ressaca ele foi julgado

Arrastado pela rua o pobre do elemento

Um inevitável linchamento, imaginem só!

Ele ficou bem feio, não tiveram dó
Dm
   Os ricos fazem campanha contra as drogas

E falam sobre o poder destrutivo dela
Am
   Por outro lado promovem e ganham muito dinheiro

Com o álcool que é vendido na favela

Dm
   Empapuçado ele sai, vai dar um rolê
                                       Am
Não acredita no que vê, não daquela maneira

Crianças, gatos, cachorros disputam palmo a palmo

Seu café da manhã na lateral da feira
Dm
   Molecada sem futuro, eu já consigo ver

Só vão na escola pra comer, apenas nada mais
Am
   Como é que vão aprender sem incentivo de alguém

Sem orgulho e sem respeito, sem saúde e sem paz

C#m
    Um mano meu tava ganhando um dinheiro

Tinha comprado um carro, até Rolex tinha!

Foi fuzilado a queima roupa no colégio

Abastecendo a playboyzada de farinha

Ficou famoso, virou notícia

Rendeu dinheiro aos jornais, ham!, cartaz à policia

Vinte anos de idade, alcançou os primeiros lugares

Superstar do notícias populares!

C#m
    Uma semana depois chegou o crack

Gente rica por trás, diretoria

Aqui, periferia, miséria de sobra

Um salário por dia garante a mão-de-obra

A clientela tem grana e compra bem

Tudo em casa, costa quente de sócio

A playboyzada muito louca até os ossos

Vender droga por aqui, grande negócio

Sim, ganhar dinheiro ficar rico enfim
Dm
   Quero um futuro melhor, não quero morrer assim
Am
   Num necrotério qualquer, um indigente sem nome e sem nada

O homem na estrada

( Dm  Am  Dm  Am )

[Quarta Parte]

Dm
   Assaltos na redondeza levantaram suspeitas

Logo acusaram a favela para variar
Am
   E o boato que corre é que esse homem está

Com o seu nome lá na lista dos suspeitos
Dm
   Pregada na parede do bar

A noite chega e o clima estranho no ar
       Am
E ele sem desconfiar de nada

Vai dormir tranquilamente

Mas na calada caguetaram seus antecedentes
Dm
   Como se fosse uma doença incurável
                                              Am
No seu braço a tatuagem, DVC, uma passagem, 157 na lei

No seu lado não tem mais ninguém

A Justiça Criminal é implacável
Dm
   Tiram sua liberdade, família e moral

Mesmo longe do sistema carcerário
Am
   Te chamarão para sempre de ex-presidiário

Não confio na polícia, raça do caralho!
Dm
   Se eles me acham baleado na calçada

Chutam minha cara e cospem em mim é
Am
   Eu sangraria até a morte (já era, um abraço!)

Por isso a minha segurança eu mesmo faço

É madrugada, parece estar tudo normal

Mas esse homem desperta, pressentindo o mal

Muito cachorro latindo ele acorda ouvindo

Barulho de carro e passos no quintal
Dm
   A vizinhança está calada e insegura

Premeditando o final que já conhecem bem
Am
   Na madrugada da favela não existem leis

Talvez a lei do silêncio, a lei do cão talvez

C#m
    Vão invadir o seu barraco, é a polícia!

Vieram pra arregaçar, cheios de ódio e malícia

Filhos da puta, comedores de carniça!

Já deram minha sentença e eu nem tava na treta

Não são poucos e já vieram muito loucos

Matar na crocodilagem, não vão perder viagem

Quinze caras lá fora, diversos calibres

E eu apenas com uma treze tiros automática

Sou eu mesmo e eu, meu Deus e o meu orixá
Dm
   No primeiro barulho, eu vou atirar
Am
   Se eles me pegam, meu filho fica sem ninguém

E o que eles querem: Mais um pretinho na FEBEM

C#m
    Sim, ganhar dinheiro ficar rico enfim
Dm
   A gente sonha a vida inteira e só acorda no fim
Am
   Minha verdade foi outra, não dá mais tempo pra nada

Bang! Bang! Bang!

[Quinta Parte]

Homem mulato aparentando

Entre vinte e cinco e trinta anos

É encontrado morto na estrada do

M'Boi Mirim sem número

Tudo indica ter sido acerto de contas entre quadrilhas rivais

Segundo a polícia, a vitima tinha vasta ficha criminal
Composición de Mano Brown
Colaboración y revisión:
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    • ½ Tono
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