Toada Em Voz de Silêncio

Raineri Spohr

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    Redescobriram silêncio os sons que habitam a estrada
    Ouvindo a voz da toada em bordoneios de vento
    Cantiga luz de outro tempo na goela do índio ponteiro
    Chamando os ciclos primeiros da canção do venha boi
    Destino certo dos bois, incerto aos rumos tropeiros

    Pelo ranger das carretas, chorando o eterno das horas
    De quem partiu vida afora, saudades, espera e caminho
    Que uniu com juntas e espinho num lento andar viajeiro
    Guabiju negro sinuelo, outro igual olhos de sanga

    Da madeira, em cruz na canga, sobre a cruz de alma e pelo
    No tranquear das comitivas, badalos inventam notas
    Cantam esporas nas botas, num clarão de estrela nua
    Antiga imagem da Lua, que ouve a toada nascer

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    Em assovios florescer, no altar das madrugadas
    Pra versejar nas estradas, quando o silêncio morrer
    O rastro da tropa larga de marcha lenta e certeira
    Cicatrizou na porteira em contas fazendo talhas

    A poeira se fez mortalha velada aos olhos noiteiros
    Nas corujas de viajeiro dos moirões dos alambrados
    O vento ficou calado na quincha dos carreteiros

    Nas dobras dos corredores se apagão fogões de ronda
    Antes que a d'Alva se esconda a toada espicha um verso
    Fala do vento disperso, caminhantes sobre os campos
    Traz lumes de pirilambos pras almas puras

    Revigorando as jornadas e os assobios num intenso canto
    Toada em voz de silêncio, guitarra, poeira e saudade
    Guardiã da identidade que o tempo jamais esquece
    Toada em forma de prece traz o som que se perdeu

    Em nossa voz renasceu nos assobios da lembrança
    É o lugar que a alma alcança de um silêncio renascer

    Información de la canción

    Composición: Raineri Spohr, Adriano Alves y Otavio Severo

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