Mandala do Sertão
Rodrigo Delage
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No bojo da minha viola
Eu guardo um grande sertão
Igual passarin na gaiola
Que voa na minha canção
Se eu canto o meu canto na lida
A vida é sem explicação
Cruzei a vereda perdida
Vim de lá, volto mais não
A pedra na água do poço
Desenha a mandala no espelho
A moça que sonha com o moço
Carece de ouvir bom conselho
O destino é um rio vazante
Nas linhas da minha mão
São Gonçalo do Amarante
Dá-nos força e proteção!
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A onça não teme a zagaia
O demo é uma superstição
O medo matou na tocaia
Meu boi marruá Barbatão
Sertão é dentro da gente
Sertão é não ter solidão
Cantando eu semeio a semente
No ermo do meu coração