Peão Centenário

Rodrigo Mattos e Praiano

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    Cada vez que ouço falar em boiada
    Ou das comitivas de transporte bruto
    O meu pensamento volta no estradão
    De longe a peonada gritando eu escuto

    Sei que sou mais um entre mil boiadeiros
    Porém nessa lida fui absoluto
    Maneava uma rês sem ter dificuldade
    Fui um professor na velha faculdade
    Dessa profissão que se cobriu de luto

    Ali do Rio Grande o passado é de glória
    Cantado em poesia e falado em sonetos
    Do café goiano, do som da viola
    Pra ser mais exato falo de Barretos

    Tropas descansando lá no corredor
    Das modas trovadas em lindos duetos
    Chegava na frente cargueiro e madrinha
    Trazendo cachaça, jabá e farinha
    Pra queima do alho acendia os gravetos

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    Hoje sou um velho peão estradeiro
    Que já atravessou o grande centenário
    Montado num burro manso e marchador
    O tempo traçou meu itinerário

    A poeira vermelha e o Sol ardente
    Me acompanharam no belo cenário
    Rios de piranha, frio e chuva forte
    O vento de agosto e a sombra da morte
    Só abrilhantaram o meu relicário

    Aqui na plateia dessa arquibancada
    Um peão sem laço, espora e gibão
    Aplaude de pé grandes profissionais
    Que enfrentam o lombo de um bravo pagão

    Depende do pulo e da gineteada
    Pra ouvir a galera gritar de emoção
    Espora batida do peso da idade
    Também faz meu peito vibrar de saudade
    Dentro da arena do meu coração

    Meu Brasil boiadeiro
    Sou você, sou a sua memória
    Sou peão centenário
    Sou caboclo, sou parte da história

    Información de la canción

    Composición: Ronaldo Viola

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