Getsêmani, o suor caiu como sangue no chão
O cálice tremeu nas mãos do Autor da criação
Os amigos dormiram, ninguém viu Sua dor
Mas Ele não fugiu, disse: Seja feita a Tua vontade, Senhor
Trinta moedas compraram o beijo da traição
Cordas no pulso de quem sustenta a imensidão
O céu inteiro quis descer pra intervir
Mas o Pai silenciou, porque era por mim
E o peso do mundo inteiro
Caiu sobre um só par de ombros
Foi a noite mais longa que o céu já viveu
Deus em carne sentiu o que a carne temeu
Mas o amor não desiste, o amor não recua
A cruz não foi derrota, foi a prova mais nua
De que alguém me amou antes de eu existir
Três da tarde, o Sol se recusou a brilhar
Como se a própria luz não suportasse olhar
Está consumado, não foi grito de quem perde
É a palavra final de quem tudo completa e vence
E a terra engoliu o silêncio
Do sábado mais frio da história
Foi a noite mais longa que o céu já viveu
Deus em carne sentiu o que a carne temeu
Mas o amor não desiste, o amor não recua
A cruz não foi derrota, foi a prova mais nua
De que alguém me amou antes de eu existir
Mas domingo chegou
E a morte acordou com medo
A pedra não aguentou
O peso de um Deus de pé dentro do sepulcro
O que era fim virou começo
O que era choro virou canto
O túmulo devolveu a vida
Porque a morte nunca teve o manto
Foi a noite mais longa, mas a manhã chegou
Deus em carne venceu o que a carne não venceu
O amor não desistiu, o amor não recuou
A cruz virou vitória no dia em que Ele voltou
E agora eu sei que nada pode me separar
Nada pode me separar
Do amor que desceu pra me buscar