Farrapo de um Cantador

Seu Ribeiro

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    ...

    Vou Rasgar o verbo na lata
    Cantando de cara uns versos pro senhor
    Que me vê riscar um fiapo
    Farrapo de um cantador,
    Pois das venturas que há no mundo
    Ser um vagabundo é o que me restou.

    De primeiro, ainda menino,
    Costumava me queixar
    Das privações que o divino
    De poder infindo teimou em deixar,
    Resmungando pelos cantos
    Jurei, inté pro Santo, que um dia ia aprumar.

    Me perdi na mocidade
    Vindo pra cidade quis me arranjar
    Pro olhos de uma donzela,
    Cegueira dos olhos dela;
    Preso por laços de amores
    Conheci as dores de um novo pesar.

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    Diz que a dor ensina a gemer,
    Não creio nisto, é mentira;
    Vivo cantando a sofrer
    E as dores meus cantos espira
    Sou filho do Sofrimento
    Tormenta quem me criou
    Ainda ando de mãos dadas
    Por estas estradas com a tal de Amargor.

    Com se ainda fosse pouco,
    Estou que nem língua de sogra
    Sem tempo pra descansar;
    Porfiando com o patrão
    Migalhas de pão pelo meu cantar.
    E o sinhozim vem me dizer
    Pra eu caçar serviço, mode ir trabalhar
    Como se a flor da cantiga
    Brotasse na caatinga sem ninguém plantar.

    Se nós não bota um frei na gente,
    Num sei, minha gente, onde nós vai parar.

    Vou lhe arranjando estes versos, Modesto
    A vida merece o melhor que nós tem,
    Mas este oficio é um bocado difícil
    E o negócio não vai muito bem.

    ...

    Información de la canción

    Composición: Seu Ribeiro

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