À Uma Espora Perdida

Shana Müller

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    Pela mansidão, já nem faz caso o pago
    Há bocais e garras a esperar a lida
    Só restou saudade na parede branca
    Uma espora inerte cutucando a vida

    Como que uma espora já sem presilha
    Pode ser partilha de uma história assim
    Ser bem mais que o tempo que nos envelhece
    E ter em seu aço o que herdei pra mim

    Quanto par de botas, quantos tauras guapos
    Num fim de setembro amansando potras
    Teve nos garrões esse par de puas
    Que hoje anda uma sem saber da outra

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    Tanta coisa muda nesse campo largo
    Que uma ausência assim tem tanto sentido
    A vida nos mostra e nos ensina o tempo
    Só quem teve amores pode os ter perdido

    Que coisa estranha os homens de hoje
    Tenham na lembrança o imenso fascínio
    Recordar seus tempos numa espora velha
    Que por mal domada guardou seu domínio

    Irmã de feitio não sabe que o tempo
    Nos templa a seu modo por mais que se ande
    Quem sabe perdida consumiu-se à terra
    Ou ande na herança de quem foi Rio Grande

    Información de la canción

    Composición: Gujo Teixeira, Jari Terres y Shana Muller

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