Ainda guri, herdou do velho
Chave de arame e esticador
Herdou o semblante de um homem sério
No difícil ofício de alambrador
Na fileira das tramas, gastou o tempo
Deixando o sonho preso nos atilhos
Chora o arame ao açoite do vento
Chora o homem a fome dos filhos
Cortou com arame a pampa ao meio
Desprovido de plata e de ganância
Cansou o braço cercando o alheio
Pelos caminhos sem fim das estâncias
A rudeza esconde o talento que tem
Em cada cerca, farpas de uma canção
Arame e palanque, de trama também
Que é pra não ouvir reclame de patrão
Sobre o arame, ali debruçado
O alambrador então compreende
Que todas as cercas que separam o gado
Também as que apartam a nossa gente
Corta o alambrado, campo e flechilha
Divide destinos por estas canhadas
Fica o estancieiro com a grama forquilha
E, pro alambrador, só resta a estrada