O País do Eça

Simone de Oliveira

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    A relíquia que trago no meu peito
    Herdada de uma tia, Patrocínio
    É o país-Paris onde me deito
    Sem culpa mas também sem raciocínio

    O conselheito Acácio bem me disse
    Nos tempos em que eu era pequenina
    O Padre Amaro é mau, ai, mas que chatice!
    Então não pode um padre amar uma menina?

    E o meu primo, Basílio brasileiro
    Que foi o pai das minhas sensações
    E o mandarim correndo o tempo inteiro
    Num país de rabichos e aldrabões

    E o meu primo, Basílio brasileiro
    Que foi o pai das minhas sensações
    E o mandarim correndo o tempo inteiro
    Num país de rabichos e aldrabões

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    Carlos da Maia, meu primeiro amor
    Primeiro livro, meu primeiro beijo
    As Maias da cidade não dão flor
    E as maias, é no campo que eu as vejo

    Ramires duma casa ilustre e vasta
    Pindericos raminhos da nobreza
    A terra portuguesa ainda não basta
    Para as courelas todas da avareza

    E o Conde de Abrantes parlamento
    E a Vera Gouvarinho a baronesa
    Mudam se os tempos mas não muda o vento
    É sempre rococó à portuguesa

    E o Conde de Abrantes parlamento
    E a Vera Gouvarinho a baronesa
    Mudam se os tempos mas não muda o vento
    É sempre rococó à portuguesa

    À cem anos que canto esta canção
    Sem cabeça porém com coração
    Porque o país do Eça de Queiroz
    Ainda é o país
    O país de todos nós

    Información de la canción

    Composición: Nuno Nazareth Fernandes y José Carlos Ary Dos Santos

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