Tango Ribeirinho

Simone de Oliveira

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    É à beira da ribeira
    Que Lisboa abre os olhos
    Quando acorda de manhã
    À cabeça da peixeira
    Há fruta de mar aos molhos
    Que põe mais Sol na manhã

    É à beira da ribeira
    Que os marujos vão curtir
    Os restos de bebedeira
    Que apanharam a sorrir

    É à beira da ribeira
    Que acorda a cidade inteira
    Que apregoa a vendedeira
    Que a gente gosta de ouvir

    Este tango ribeirinho
    Sabe a Tejo e sabe a vinho
    Este tango da cidade
    Tem navalhas de saudade
    Tem punhais de solidão
    A doer devagarinho
    Dentro do meu coração

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    Este tango ribeirinho
    Tem fragatas de carinho
    Tem andorinhas nas telhas
    E cravos de por na orelha
    Sardinheiras encarnadas
    Junto às toalhas de linho
    Penduradas nas sacadas
    Este tango ribeirinho

    É à beira da ribeira
    Que há canalhas e há malandros
    E mulheres de meia-porta
    Mas à beira da ribeira
    Há cabazes de morangos
    Que ainda nos sabem a horta

    É à beira da ribeira
    Que vai esperar o estivador
    Numa manhã toda inteira
    Que lhe comprem o suor

    É à beira da ribeira
    Que um ramo de erva cidreira
    Traz a ternura que cheira
    A Lisboa, meu amor

    Este tango ribeirinho
    Sabe a Tejo e sabe a vinho
    Este tango da cidade
    Tem navalhas de saudade
    Tem punhais de solidão
    A doer devagarinho
    Dentro do meu coração

    Este tango ribeirinho
    Tem fragatas de carinho
    Tem andorinhas nas telhas
    E cravos de por na orelha
    Sardinheiras encarnadas
    Junto às toalhas de linho
    Penduradas nas sacadas
    Este tango ribeirinho

    Información de la canción

    Composición: Nuno Nazareth Fernandes y José Carlos Ary Dos Santos

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