Freud Explicou

SKM

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    Nem tudo que cala
    Desaparece
    Às vezes
    Só muda de lugar

    No princípio não tem eu, só pulsão sem tradução
    Um corpo atravessado pela língua do outro em construção
    O desejo não é meu, ele vem de fora, atravessa
    Sou efeito de um discurso que me nomeia e me confessa

    Entre falta e fantasia vou tentando me costurar
    O que não pôde ser dito
    Começa a me habitar
    Recalque não é esquecimento, é memória disfarçada
    Um resto mal resolvido pedindo forma na estrada

    O sintoma não é erro, é mensagem comprimida
    É o inconsciente achando fresta pra falar da ferida
    E no meio do conflito entre o que quero e o que dá
    Nasce a tal da estrutura que sustenta o meu lugar

    Não é escolha, nem roteiro que eu escrevi
    É o modo que o desejo encontrou pra existir

    Neurose tenta esconder
    Psicose deixa escapar
    Perversão sabe o jogo
    E decide sustentar

    É lei, é falta, é querer
    É o que não dá pra tapar
    Somos feitos de desejo
    E ele sempre vai falar

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    Na neurose tem conflito, tem lei internalizada
    O desejo vem travado, culpa sempre do meu lado
    O sujeito se divide entre o pode e o não pode
    E o sintoma vira ponte pro que a censura não resolve

    Recalque é o mecanismo que mantém tudo em segredo
    Mas o corpo dá um jeito de vazar o enredo
    Histeria fala em cena, obsessão calcula dor
    Cada ato é uma tentativa de domesticar o amor

    Na psicose a coisa é outra, a lei não foi inscrita
    O Nome-do-Pai não veio, a realidade se agita
    Não tem recalque operando, é foraclusão no lugar
    O que ficou de fora volta sem pedir pra entrar

    Delírio não é falha, é tentativa de amarrar
    Um mundo que sem borda começa a desmoronar
    O sujeito cria sentido onde o simbólico faltou
    É invenção necessária pro que nunca se estruturou

    Na perversão tem saber, mas também tem encenação
    O sujeito não recua diante da interdição
    Ele conhece a lei
    Mas dança na sua beira
    Faz do outro instrumento na sua própria maneira

    Não é ausência de regra, é relação calculada
    Com o gozo e com a falta sendo ali manipulada
    Sustenta o desejo do Outro como cena principal
    É teatro bem montado de um pacto estrutural

    Entre o que falta e o que insiste em voltar
    A gente inventa um jeito de se organizar
    Não existe sujeito fora dessa tensão
    É na rachadura que nasce a canção

    Neurose tenta esconder
    Psicose deixa escapar
    Perversão sabe o jogo
    E decide sustentar

    É lei, é falta, é querer
    É o que não dá pra tapar
    Somos feitos de desejo
    E ele sempre vai falar

    No fim
    Não somos o que pensamos que somos
    Somos
    O que insiste em nos atravessar

    E talvez
    Escutar isso
    Já seja um começo

    Información de la canción

    Composición: Skm

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