Espinheiro Negro

Souto MC

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    Condenada desde a minha origem
    Mais Eva que virgem
    Marias na margem
    Ressurgem e atingem o auge
    Bem longe se qualquer chantagem
    Não vão me negociar

    Não aceito ser peça ou objeto
    Muito menos se presa num quadrado
    Sei bem o que me pesa e é indigesto
    Quando o respeito deles é abstrato

    Não vou ser só um artefato
    De um contrato, de um tratado
    Do mercado o mais barato
    Com sonhos castrados
    Minha liberdade e prazer deixam ele apavorado

    Não me submeto eu transgrido o medo
    Transcrevo o enredo dessa farsa antiga
    Rasgo seu roteiro, rompo o cativeiro
    Viro bicho e ingiro você na barriga

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    Não cisca no meu roçado
    Pisa fofo no meu terreiro
    O meu corpo tá envultado
    E o meu sorriso espinheiro negro

    Arreda homem que lá vem mulher
    Arreda homem que lá vem mulher

    Força que ninguém segura
    Madeira que nada fura
    De madruga na encruza
    Eu sou a bruxa que sussurra
    Mandinga que mata e cura
    Feitiço na luz da Lua
    A fogueira a quem deseja só
    Me ver morta ou nua

    Fruta gogoia tropicana
    Serpente jiboia ligeira igual caninana
    Sagrada e profana
    O canto da força estranha
    Coragem tamanha que rompe com as
    Todas entranhas

    Vida não se barganha
    A eles não se sirva
    Virada sou canha e
    Subversiva
    Flutuo em minhas águas, não fico a deriva
    Façanha maior é sempre minha alma viva

    Información de la canción

    Composición: Trajano, Grou y Souto Mc

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