Vamos Juntas

Tato Moura

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    Quando andar não é possível
    Avançar é preciso
    Os olhos tremem em meu rosto
    Da rua o invisível provocar
    Forte o que me veste
    Frágil o que golpeia
    Asco de quem persegue
    Raiva de quem sacia

    No silêncio da madrugada
    Na escuridão da cidade vaga
    Vamos juntas, companheira
    Quando a solidão apavora
    Tua presença me norteia
    Vamos juntas, então, companheira

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    Ser como sou, feminista
    Quero caminhar
    Sem abutres na esquina
    Mais respeito, menos dor
    Mais empatia, sem amor-objeto
    Sem correntes e nem teias
    Sem príncipes, nem princesas

    Quero paz, e mais
    Sem marcas no meu corpo
    Sem minha juventude condenar
    Meu perdão não lhe empresto
    E carrego a certeza
    Ser mulher é ser fera
    Com asas de borboleta

    No silêncio da madrugada
    Na escuridão da cidade vaga
    Vamos juntas, companheira
    Quando a solidão apavora
    Tua presença me norteia
    Vamos juntas, então, companheira

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