Baião de Câmara

Thiago Amud

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    E se quando o grão
    Desabrochar n’outra estação
    Em vez de dar trigo e arroz
    Se abrir pra nós numa canção
    E então, vier da brotação
    Como de dentro de um sonho
    Um canto que é medonho
    De tão fundo que ele vai
    Rachando a terra de onde sai
    Purificando os frutos
    Como a bênção de um pai?
    (Broto de voz
    Ceifando a fome seca do sertão
    A voz de pão
    Harmonia do chão
    Alimento farto a quem pedir
    Ungüento santo a se parir
    Jorrando ao léu
    Como se Deus resolvesse existir)

    Não assustaria se o chão rasgasse um dia
    E, ao invés da safra que se esperou
    Irrompessem ecos de plena poesia
    Não se espantaria quem semeou
    Quem lavrou a terra, o solo arou, pôs água
    Entendeu da terra o pulso oculto, a invisível vibração
    Ofertou à terra um coração sem mágoa
    Tomaria a música em sua mão
    E a repartiria na proporção mais justa
    Com os miseráveis da região

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    Mantras vegetais, etéreos grãos de sinfonia
    Modas cereais e folhas de polifonia
    Ai, quanta folia!
    Uma canção aberta em flor

    E quem quisesse os lucros da colheita
    Teria que enfrentar a multidão
    Armada de alegria e satisfeita
    Comendo a melodia do baião

    Baião, baião, baião

    Información de la canción

    Composición: Thomas Fontes Saboga Cardoso y Thiago Amud

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