A Fala

Tiago Bra

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    Que a palavra quando dita
    Seja sentida pelo corpo
    Que a intenção de pronúncia -las
    Seja a de transmitir um sentimento
    Uma experiência

    Que haja o perdão quando se reproduz
    Palavras vazias de vida e movimento
    Que haja gratidão quando a expressão do verbo
    Venha do coração
    Ressonando

    Destranco o discurso
    Desentupindo o tráfego
    Descarto o corrupto de estante num instante
    Palestra proposta de incitar a guerra e a derrota
    Pra promover um posto?!

    Desenhando a imagem
    De um personagem no rosto
    A gente paga o imposto
    A gente paga o imposto!
    Põe a venda da crença
    De hastear uma bandeira
    E o discurso é o que segue
    Correndo na esteira
    Na onda do rádio

    Continúa después del anuncio

    Na tela da televisão da feira
    É só pegar uma banana e ver
    Que a gente paga imposto
    A gente paga imposto
    Roendo esse osso
    Engravatado de sapato lustrado
    Sentado
    Coçando a careca do cinismo
    Sina de Narciso

    Parece que esse palanque
    Só quer
    Aumentar a altura do degrau da estante
    Pra ver
    O povo de cima
    Pra ver o povo de cima
    Sombreando os cocuruto
    Com seu nariz

    Evoco uma fala sem nação
    Desprovida de razão
    No pique eu arrumo meu verso
    No bit certeiro da intuição
    O pulso impulsiona o sangue
    Lavando a infecção
    A rima ruma a vida
    A rima arruma a minha vida

    A rima ruma a vida
    A rima arruma a vida
    A rima ruma a vida

    Que a fala seja sagrada!
    Que haja perdão quando se reproduz
    Palavras vazias de vida e movimento

    Información de la canción

    Composición: Tiago Bra

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