Luar De Vila Sônia

Tito Madi

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    Luar, mais nada me seduz
    Senão, chorar pensando em ti
    Luar, sonho banhado em luz
    Agora eu sei o que perdi

    É noite e tudo se desfaz
    Na fria solidão da lei
    Noite sem Deus, noite sem paz
    E tudo foi humano, errei

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    Mas inda tenho coração
    E tudo pode acontecer
    O despertar da redenção
    De um terno amor, o alvorecer

    Amor, o alivio para a insônia
    Perdão, a graça para o fim
    Quero-te luar de vila Sonia
    Para morrer cantando assim

    [Declamado]
    "Nove horas, apagam-se as luzes do presídio
    Mais uma esperança perdida na insípidez de um dia
    Estiolado que se foi para o além,
    Como tantos outros se foram, desde que me destinaram
    Esta vida amargurada de encarcerado
    Mais um período de lágrimas para a minha grande desventura
    A noite tenebrosa dos fantasmas,
    A escuridão da lei privando-me do luar perfumado
    E encantador de vila Sonia, adormecida
    A corneta da sentinela, lá no portão longínquo do presídio,
    Inicia o toque do silêncio,
    Enquanto sob o cáustico do pranto abrasador,
    Prossigo meu destino marcado,
    Cantando e chorando a minha saudade imensa".
    Luar, mais nada me seduz
    Agora eu sei o que perdi.

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