Enterro do Malandro

Tom Drummond

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    Vai, o malandro que se foi
    Tantas, quantas aprontou
    Nunca mais vai aprontar
    Foi e todo o morro estava ali
    Pra lembrar se despedir
    Pra igreja abarrotar

    Enquanto o padre ecoava
    Seu já tão cansado latim
    A turma do bar se entreolhava
    Lembrando as noitadas sem fim

    Enquanto o corpo se estende
    Num velho e surrado caixão
    Tem tanto agiota a procura
    De um filho, de um tio, de um irmão

    As tantas mulheres que a vida lhe dera
    E lhe deram tamanha atenção
    Negaram, cederam, gemiam, choravam
    Por ver tão esguio coração

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    Que não bate mais
    E ao vê-lo assim
    Se arrependiam de ter desejado
    Sua morte e seu fim
    E ao reconhecer a que lhe sucedeu
    Sem raiva ou desprezo
    Puxava o assunto que há pouco morreu

    Lá se vai, o malandro que se foi
    Tantas, quantas aprontou
    Nunca mais vai aprontar
    Foi e todo o morro estava ali
    Pra lembrar se despedir
    Pra igreja abarrotar

    Enquanto a missa se estende
    Com fé, com montanha e moinho
    O samba inteiro pergunta
    Quem sabe tocar cavaquinho

    Enquanto o consolo se chega
    Que a vida se leva adiante
    O time inteiro lamenta
    A perda de um bom centroavante

    Os tantos escravos
    Que tanto xingavam
    O ser vagabundo em questão
    Perdiam o tempo, cabelo e dinheiro
    Um dia também morrerão.

    Estavam por lá, entre a multidão
    Num misto entre tanto respeito e inveja
    Por tal conclusão
    Sem acreditar que a morte o levou
    Contavam as tantas histórias
    Aonde ele sempre escapou

    Lá se vai, o malandro que se foi
    Tantas, quantas aprontou
    Nunca mais vai aprontar
    Foi e todo o morro estava ali
    Pra lembrar se despedir
    Pra igreja abarrotar

    Información de la canción

    Composición: Tom Drummond

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