Decifrando

Tonico e Tinoco

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    A mata virgem é sertão, água parada é lagoa.
    Cana moída é bagaço, dente de ouro é coroa.
    Ronco no céu é trovão, a chuva fina é garoa.
    Tudo o que é bom dura pouco, o que é demais logo enjoa.

    Calor demais é mormaço, pé de boi é mocotó.
    Quem canta de graça é galo, quem vai na onda é coió.
    Amor ingrato é desprezo, desprezado vive só.
    Se fica perto padece, se vai pra longe é pió.

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    Casa caída é tapera, corgo grande é ribeirão.
    Trio no mato é picada, arto de morro é espigão.
    Chuva grossa é tempestade, festa na roça é função.
    Suspiro longo é saudade, soluço triste é paixão.

    Boi arisco é pantaneiro, cavalo chucro é pagão.
    O marrueiro é saudoso, nego véio é Pai João,
    Que vive triste e calado, alembra da ingratidão:
    A mãe preta que foi morta no tempo da escravidão.

    Song details

    Composition: Tonico and Ze Fortuna

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