Saco de Ouro

Valderi e Mizael

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    Num saco de estopa
    com imbira amarrado
    Eu tenho guardado a minha
    paixão
    Uma bota velha,
    chapéu cor de ouro
    Bainha de couro e um velho facão
    Tem um par de espora,
    Um arreio e um laço
    Um punhal de aço e rabo de tatu
    Tenho uma guaiaca ainda perfeita
    Caprichada e feita só de couro cru
    Do lampião quebrado,
    só resta o pavio
    Pra lembrar do frio
    Eu também guardei
    Um pelêgo branco que perdeu
    o pêlo
    Apesar do zêlo com que eu cuidei
    Também o cachimbo de canudo longo
    Quantos pernilongos com ele espantei
    Um estribo esquerdo,
    que guardei com jeito
    Porque o direito na cerca eu quebrei
    A nota fiscal já toda amarela
    Da primeira sela que eu mesmo
    comprei
    Lá em Soledad na Casa da Cinta
    Duzentos e trinta, na hora paguei
    Também um recibo já todo amassado
    Primeiro ordenado que eu faturei
    É a minha tráia num saco amarrado
    Num canto escostado,
    que eu sempre guardei
    Pra mim representa um belo
    passado
    A lida de gado que eu tanto gostei
    Assim enfrentando um trabalho duro
    E fiz o futuro sem violar a lei
    O saco é relíquia com meus apetrechos
    Não devo e não deixo ninguém pôr a mão
    Nos trancos da vida agüentei o taco
    E o ouro do saco é a recordação

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