Me chamaram de sombria Só porque eu vi cair Os castelos de promessa Que juravam que não ia ruir Disseram: Você mudou Com aquela entonação De quem me acusa de um erro Mas foi só a minha inocência Que cansou de andar no breu Hoje eu sobrevoo silêncios Que quase ninguém quer escutar Porque tem verdades que só aparecem Pra quem suporta enxergar Meu codinome é urubu Não me alimento de ilusão Eu transformo fim em caminho Faço pouso na devastação Se acabou, atravesso Se dói, sobrevivo Carrego olhos de altitude Nada mais me faz mentir Já tentei ser beija-flor Mas me pediam leveza Mesmo quando eram cinzas Consumindo o meu lume Agora eu honro o ciclo Sem maquiar a dor Toda queda aduba um chão Onde o amor dá flor Clareza Visão Quem já dançou com a perda Não negocia a própria percepção Meu codinome é urubu Não me alimento de ilusão Eu transformo fim em caminho Faço pouso na devastação Meu codinome é urubu Eu não temo os finais Quem aprende a olhar os fins de ciclo Nunca mais vive pela metade do vital Sou força nas viradas Especialista em recomeçar Porque quem encara o vazio Perde o medo de voar Não me confunda com tristeza Eu sou travessia Há uma paz estranha Em quem já não precisa fugir E nem fingir Meu codinome é urubu Sentinela do que é real Onde o mundo vê ruína Eu enxergo portal Se a vida me desmonta Eu agradeço o clarão Das minhas versões que já morreram E assim nasce a minha expansão Não sou ave de azar Sou testemunha da transformação E quem não teme os fins Aprende o segredo de continuar