Ô fío, ô fía Escuta um conselho meu Pode faltar tudo na vida Mas nunca te falta eu Quando teu peito aperta Eu respiro devagar Quando tua lágrima cai Sou chão pra ela pousar Sou presença no silêncio Sou raiz no coração Sou guarda na tua estrada Sou firmeza na canção No sussurro do vento É minha voz que ecoa Na brasa que nunca apaga É minha reza que abençoa E eu canto em verso manso Quase em canto de oração Eu tô contigo Eu tô contigo Na curva do destino No peso da missão Na força do tempo No sopro do chão A paciência é minha guia O tempo é meu saber Até pedra vira pó Até dor pode se desfazer Eu te ensino a esperar Fío sem medo de atrasar Como Lua que renasce Como fruto à adoçar Ô fío, ô fía Quando a vida fechar portão Abre o peito que eu entro Sem precisar de permissão Sou canto na noite escura Sou caminho na perdição Sou abraço invisível Sustentando tua mão E vou falando e cantando Guiando, sem pressa andar Não com grito, mas com calma Como o rio a deslizar Porque amor de velho não corre Se assenta como raiz Se firma no teu destino Se eterniza e te faz feliz Lembra sempre meu fío Nunca caminhastes só Na sombra e também na luz Eu sempre estive ao teu redor E no riso ou no lamento No choro ou na alegria Sou preto velho guardando tua alma Todo dia E canto baixinho Com fé e com verdade Eu tô contigo Eu tô contigo Na dor Na saudade Na vida Na eternidade