O Riso

Vultos

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    O riso -- o voltairesco clown -- quem mede-o?!
    -- Ele, que ao frio alvor da mágoa humana,
    Na via-láctea fria do nirvana,
    Alenta a vida que tombou no tédio!

    Que à dor se prende, e a todo o seu assédio,
    E ergue à sombra da dor a que se irmana
    Lauréis de sangue de volúpia insana,
    Clarões de sonho em nimbos de epicédio!

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    Bendito sejas, riso, clown da sorte
    -- Fogo sagrado nos festins da morte
    -- Eterno fogo, saturnal do inferno!

    Eu te bendigo! No mundano cúmulo
    És a ironia que tombou no túmulo
    Nas sombras mortas de um desgosto eterno!

    (Termina aqui o poema original)quem mede o riso, mede o pranto?
    Todos estão indo, sabem para onde?
    Quem molda o riso, molda a máscara?
    Não é a dimensão do festim, a mesma do sepulcro?
    Ah, a volúpia humana, que antecede o desgosto
    (Diz algo ininteligível)

    Información de la canción

    Composición: Augusto Dos Anjos

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