Lenda de Pólvora e Poeira

Walber Costa

    Continúa después del anuncio

    No sertão onde o vento assovia
    E a poeira dança no chão
    Começa a história esquecida
    De um homem sem redenção

    Bento vivia sozinho
    Numa tapera caída
    Com duas cabras magras
    E uma viola sofrida

    Quase não falava com gente
    Nem gostava de recordar
    Mas no fundo do olhar cansado
    Tinha coisa pra contar

    Diziam que foi jagunço
    Daqueles de mão pesada
    Que resolvia na bala
    Qualquer dívida cobrada

    Mas um dia largou tudo
    Sumiu sem deixar rastro
    Tentando enterrar o passado
    Debaixo do próprio cansaço

    O Sol mal tinha nascido
    Quando o chão começou a tremer
    Três cavaleiros na estrada
    Sem pressa de aparecer

    Chapéu cobrindo o rosto
    Arma cruzada no peito
    E na frente vinha Firmino
    Com seu olhar de despeito

    Desceu do cavalo rindo
    Como quem já decidiu
    Que o destino de Bento
    Ali mesmo se cumpriu

    Falou com voz arrastada
    Sem espaço pra discussão
    Ocê sumiu, mas não se esconde
    De quem manda nesse chão

    Continúa después del anuncio

    Bento cuspiu no terreiro
    E respondeu sem tremer
    Eu larguei aquela vida
    Não volto a viver assim mais não, pode crer

    Firmino deu uma risada
    Daquelas que gelam o ar
    Mas a vida que ocê largou
    Não deixou de te procurar

    O vento ficou parado
    Nem folha quis balançar
    E o silêncio entre os dois
    Parecia gritar

    O tiro veio primeiro
    Rasgando o som do lugar
    A mesa virou escudo
    E Bento correu pra pegar

    A velha espingarda guardada
    Encostada na solidão
    Que ele jurou nunca mais usar
    Mas conhecia de cor na mão

    Explodiu poeira e grito
    Cavalo correndo sem rumo
    E o sertão virou batalha
    Coberto de fogo e fumo

    Cada disparo lembrava
    Tudo que ele quis esquecer
    E a cada homem que caía
    Mais difícil era viver

    Quando o barulho cessou
    Só o vento voltou a falar
    Os três estavam caídos
    Sem força pra levantar

    Firmino ainda respirava
    Com o orgulho no fim
    Olhou pra Bento cansado
    E falou quase assim

    Ocê podia ter voltado
    Nada disso acontecia
    Bento abaixou devagar
    E disse sem alegria

    Ocê podia ter deixado
    Eu seguir minha vida vazia

    Enterrou cada corpo
    Com a própria mão no chão
    Sem reza, sem despedida
    Só poeira e solidão

    Pegou a viola nas costas
    E o resto que ainda tinha
    Subiu no cavalo calado
    E seguiu outra linha

    Sabia que o mundo é pequeno
    Pra quem já viveu assim
    E que o passado não morre
    Só espera o próximo fim

    E até hoje dizem no vento
    Quando a noite é mais fria
    Que se escuta uma viola triste
    Chorando aquela agonia

    De um homem que quis ser outro
    Mas nunca deixou de ser
    Só mais um perdido no sertão
    Sem ter pra onde correr

    Información de la canción

    Composición: Walber Costa

    ¿Los datos están equivocados?

    Enviar revisión