No More! O Never More!
Walber Costa
Quando a fumaça atravessar meu peito
E o último acorde ecoar no salão
Não quero olhos perdidos em pranto
Nem promessas jogadas no chão
Quando em mim se romper o silêncio
Que segurava a dor de existir
Não deixem flores sobre o concreto
Nem rezas tentando me ouvir
Porque a vida me queimou por dentro
Como um velho motor sem direção
E eu caminhei por ruas vazias
Com tempestades na contramão
Eu fui sombra nas madrugadas
Um coração fora do lugar
Mas ainda ouvi tua voz distante
Tentando me fazer voltar
E eu saio da vida como um estranho
Perdido entre fumaça e faróis
Carregando lembranças nos ombros
E o peso de tudo que fomos nós
Não escrevam tristeza na pedra
Nem silenciem a canção
Porque até no fim da estrada
Ainda pulsa meu coração
Só levo comigo as lembranças
Das noites sem conseguir dormir
Da tua imagem na janela
Me vendo aos poucos partir
E da mulher que existiu nos sonhos
Mas nunca pude alcançar
Um beijo perdido no tempo
Que eu não consegui tocar
Se alguma lágrima cair agora
Não é medo de desaparecer
É só saudade queimando lento
Do que eu não pude viver
E eu saio da vida como um estranho
Com os olhos voltados pro céu
Entre ruínas, bares e fumaça
Tentando fugir desse véu
Se alguém lembrar meu nome um dia
Que seja ao ouvir essa voz
Porque eu fui feito de tempestades
Mas o amor ainda vive em nós