Eu caminhei por terras sem voz
Onde o vento esqueceu de soprar
E os ossos falavam de dor
Histórias que o tempo quis apagar
Olhos perdidos no chão
Sem força pra acreditar
Mas algo ecoa no pó
Chamando vida pra voltar
Você ouve?
No silêncio há um som
Levanta, vale de ossos secos
Respira de novo, volta a viver
Há um sopro vindo do eterno
Chamando você pra renascer
Levanta, mesmo em pedaços
Mesmo sem forças pra crer
No vale mais deserto
Ainda há vida pra florescer
Eu vi promessas quebradas no chão
E sonhos que não resistiram
Mas cada fragmento em dor
Guardava algo que não morreu
E mesmo na escuridão
Uma luz insiste em ficar
Como um grito no invisível
Se recusando a se calar
Você sente?
Algo começa a pulsar
Levanta, vale de ossos secos
Respira de novo, volta a viver
Há um sopro vindo do eterno
Chamando você pra renascer
Levanta, mesmo em pedaços
Mesmo sem forças pra crer
No vale mais deserto
Ainda há vida pra florescer
E se a voz vier do nada?
E se for real?
E se o impossível
For só o começo do final?
O sopro vem
Você não está só
O deserto treme
E o pó encontra o pó
Levanta, vale de ossos secos
Deus ainda chama teu nome
Do pó Ele faz um exército
E o fraco já não se esconde
Levanta, mesmo em pedaços
Há vida onde houve dor
No vale mais improvável
Ainda floresce o amor
Respira
Respira