Zé Rufino E O Fim Do Cangaço

Walber Costa

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    No meio seco do mundo esquecido
    Onde o Sol rasga o chão sem perdão
    Um menino tocava sanfona
    Sem saber do peso da mão

    Era festa, era riso e poeira
    Era vida simples demais
    Mas o destino não pede licença
    Quando resolve chegar

    Foi na beira de uma estrada
    Que cruzou com o capitão
    Lampião de olhar de brasa
    E promessa de escuridão

    Venha comigo, sanfoneiro
    Seu talento vai prosperar
    Mas Zé Rufino, sem medo
    Respondeu: Não vou entrar

    Lampião não aceitava
    Ser negado assim tão fácil
    Fez de novo o mesmo convite
    Num silêncio quase frágil

    Uma vez, depois outra
    E a terceira pra selar
    Cada não era sentença
    Que podia o fim chamar

    Zé Rufino disse não
    Mesmo olhando a morte em pé
    Recusou o rei do sertão
    Sem tremer, sem perder a fé
    E naquele mesmo instante
    Sem ninguém poder prever
    O destino do sanfoneiro
    Começou a se inverter

    Sem ter como se esconder
    Sem ter rota pra fugir
    Entendeu que no sertão
    Só um lado é pra existir

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    Vestiu farda, virou caça
    Do que antes evitou
    O menino da sanfona
    Pela guerra se marcou

    Do outro lado da história
    Um relâmpago surgiu
    Cabelos soltos ao vento
    Era Corisco que partiu

    Braço forte de Lampião
    Fiel feito tempestade
    Carregava no olhar
    Raiva, dor e lealdade

    Depois da queda do chefe
    Não restou mais direção
    Mas Corisco não se rende
    Mesmo em desolação

    Era fogo contra fogo
    Era sangue contra lei
    De um lado o cangaço vivo
    Do outro, quem virou rei
    Zé Rufino perseguia
    Sem descanso, sem parar
    E Corisco respondia
    Sem pensar em se entregar

    O sertão ficou pequeno
    Pra dois nomes tão fatais
    Cada rastro era seguido
    Cada passo, sinais

    Não era só vingança
    Nem só ordem ou dever
    Era o peso da história
    Que ninguém podia deter

    E num dia sem aviso
    Veio o fim pra se escrever
    O encontro inevitável
    Que ninguém quis esquecer

    Corisco ainda lutava
    Mesmo vendo o fim chegar
    Entre tiros e poeira
    Se negava a se dobrar

    Zé Rufino não parou
    Até ver tudo acabar
    O cangaço que marcou
    Finalmente foi calar
    Mas não foi só vitória
    Nem motivo pra cantar
    Foi o fim de uma história
    Que fez o sertão sangrar

    O sanfoneiro que um dia
    Só queria tocar
    Virou nome na memória
    Difícil de julgar

    Nem herói, nem só vilão
    Só um homem do sertão
    Que entre o certo e o errado
    Escolheu direção

    E no eco dessa terra
    Ainda dá pra escutar
    Os acordes de um passado
    Que insiste em não calar

    Zé Rufino, corisco, lampião
    Três destinos num só chão
    E a história que ficou
    Foi escrita em sangue e chão

    Información de la canción

    Composición: Walber Costa

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