Morte Absoluta

Wiara Soares

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    Morrer
    Morrer de corpo e de alma
    Completamente

    Morrer sem deixar o triste despojo da carne
    A máscara de cera
    Cercada de flores que apodrecerão felizes!
    Banhada de lágrimas
    Que nascem menos da saudade
    Que do espanto da morte

    Morrer tão inteiro
    Que o mundo não saiba
    Se um dia estiveste aqui
    Morrer tão inteiro
    Que teu nome não caiba
    Nem mesmo no esquecimento

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    Morrer sem deixar porventura uma alma errante
    À procura de um céu
    Mas que céu poderia saciar
    O sonho de um céu que é só teu?

    Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra
    Nem lembrança de sombra
    Em nenhum coração, em nenhum pensamento
    Em nenhuma epiderme

    Morrer tão inteiro
    Que o mundo não saiba
    Se um dia estiveste aqui
    Morrer tão inteiro
    Que teu nome não caiba
    Nem mesmo no esquecimento

    Mas, no fundo do fundo do nada
    Escuta-se um pulso que insiste
    Um sopro que diz
    Talvez viver seja morrer devagar
    Para aprender a nascer outra vez

    Viver tão inteiro
    Que o mundo estranhe
    Como ainda estás aqui
    Viver tão inteiro
    Que teu nome floresça
    Na boca do esquecimento

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    Composition: Wiara Cristina Soares

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