Morrer Morrer de corpo e de alma Completamente Morrer sem deixar o triste despojo da carne A máscara de cera Cercada de flores que apodrecerão felizes! Banhada de lágrimas Que nascem menos da saudade Que do espanto da morte Morrer tão inteiro Que o mundo não saiba Se um dia estiveste aqui Morrer tão inteiro Que teu nome não caiba Nem mesmo no esquecimento Morrer sem deixar porventura uma alma errante À procura de um céu Mas que céu poderia saciar O sonho de um céu que é só teu? Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra Nem lembrança de sombra Em nenhum coração, em nenhum pensamento Em nenhuma epiderme Morrer tão inteiro Que o mundo não saiba Se um dia estiveste aqui Morrer tão inteiro Que teu nome não caiba Nem mesmo no esquecimento Mas, no fundo do fundo do nada Escuta-se um pulso que insiste Um sopro que diz Talvez viver seja morrer devagar Para aprender a nascer outra vez Viver tão inteiro Que o mundo estranhe Como ainda estás aqui Viver tão inteiro Que teu nome floresça Na boca do esquecimento