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Wilsen

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    Pedi a mão da advogada de inventário
    Me chamaram de otário, de maluco, ele pirou
    A moça é safa, ela manja de partilha
    Expert em sucessão, e um documento me entregou

    Tava escrito numa língua quase morta
    Misturado de latim vulgar tardio medieval
    Mas me acalmou, plantou-me um beijo na testa
    Isso é contrato padrão, acordo pré-nupcial

    Eu acredito, não estou tenso
    Estou tranquilo, mas preciso de um dia pra ler, internalizar
    Pois desta feita, acordo dessa natureza
    Só com café e Aurélio
    Pra então analisar

    3 da manhã
    3 da manhã, eu acordei desesperado
    O lençol todo suado, foi um sonho surreal
    No escaninho, o acordo me fitando
    E eu deitado, postergando aquela análise legal

    Da cama eu pulei, peguei tinteiro
    Um papel e um dicionário, fui pro escritório central
    Sem mais delongas, arranquei, quebrei o selo
    Lendo em voz alta, parecia um ritual

    Pelo presente instrumento particular
    O noivo se obriga a entregar os bens e a força vital
    Enquanto a noiva lhe dará seu dedo em troca
    Nada além, assinam partes, esse é o contrato formal

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    Senti uma força de outra dimensão
    Atraindo minha mão pro acordo ratificar
    Mas assim que recitei os versos em latim
    Conjurei uma entidade sobrenatural

    Um homem preto, barbado, alto, engravatado
    Me julgando com um jeito meio intelectual
    Sou Luiz Gama, libertei mais de 500
    Homens, mulheres, crianças, no período imperial

    Conheci todo tipo de homem, escravizado
    Preso, torturado, amordaçado
    Mas é o primeiro que vejo entregar
    A liberdade de forma consensual

    Não se engane, porque eu tenho um plano
    Deixa aqui com o bom baiano, sentei, agora eu vou minutar
    Se essa moça manja do Direito de Família
    E quer tomar sua alma em vida, os seus bens hei de blindar

    Vais assinar o mesmo documento
    Mas inseri um adendo: Os teus bens, movimentar
    São transferidos para um trust, um contrato
    Outro alguém que os bens agora vai controlar

    É um laranja, sim, mas é legalizado
    Não existe nesse Estado, no exterior fui buscar
    Pra apaixonado, iludido, gente frouxa
    É o melhor que posso fazer pra não deixar o amor te esgotar

    Mas antes de sumir pela janela
    Acenou e me falou
    Não me chamem de doutor
    Sou rábula, com muito amor, tome cuidado com ela

    Pedi a mão da advogada de inventário
    Me chamaram de otário, de maluco, ele pirou
    A moça é safa, ela manja de partilha
    Expert em sucessão, e um documento me entregou

    Tava escrito numa língua quase morta
    Misturado de latim vulgar tardio medieval
    Ela escolheu os termos de família e sucessão
    Mas meu patrimônio agora é do Direito anglo-saxão

    Información de la canción

    Composición: Tamsin, Ara, John Howard Simon y Gabriel Smith

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