O Negro Gaúcho

Zequinha Silva

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    (Me digam que valor tem
    O negro que nasce gaúcho?
    Se for pra queimar cartucho
    Até que negro convém
    Não quero ofender ninguém
    Mas é preciso dizer
    A história está aí pra ver
    O negro sempre foi bravo
    Trazido aqui como um escravo
    Pra lutar e depois morrer)

    Nasci no lugar errado
    E passei, ninguém me viu
    Vivi num mundo pequeno
    Com gente que me feriu
    Sou negro que foi pisado
    Quem me pisou não sentiu
    Meu corpo foi massacrado
    Mas mesmo assim resistiu

    Eu luto por liberdade
    Sou curandor da ferida
    Onde não tem igualdade
    Negro também não tem vida
    Eu venho de muito longe
    Sou gente desconhecida
    Estou procurando a terra
    Que por Deus foi prometida

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    (No meu corpo eu trago marcas
    De lutas e revolucoes
    Tenho cheiro dos porões
    Dos amontoados, das barcas
    Gemidos, gritos e fuzarcas
    A ansiedade das fugas
    Os pés rachados, verrugas
    Resultado de barro e terra
    A vida é uma eterna guerra
    Escondida atrás das rugas)

    Uns dizem que sou gaúcho
    Sou brasileiro, será?
    Pra'o lugar de onde vim
    Um dia ainda vou voltar
    Espero que no caminho
    Alguém possa me ajudar
    Me mostrando o rumo certo
    Onde tenho que chegar

    Dou tanto amor ao Rio Grande
    Porque motivo, não sei
    Devido a cor da minha pele
    A meu favor não tem lei
    Pra defender minha origem
    Tudo de mim eu já dei
    Porém morri em porongos
    E agora ressuscitei

    (Vai em frente negro
    Vai lutar por teus direitos)

    Información de la canción

    Composición: Zequinha Silva y Joni Marcos

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