Ela chegou como raio em dia sem nuvem
E quando olhei, já era tarde pra fugir
Entre rezas e cicatrizes, ela me fez altar de um templo sem nome
Lençol de seda dourada, pétalas de rosas vermelhas no Sol de dezembro
Cartas de amor jogadas ao mar, entre hesitações e escolhas
O presente celebrando o passado, sem futuro
E o que restou de tudo, o que restou de mim, reza o nome dela em silêncio
Sacerdotisa
Demônia que me amava
Meio pagã, meio indígena
Rainha das porções mágicas
Ela veio de lugar nenhum
De um tempo que nunca existiu
Traz nos olhos o veneno e o lume
Um feitiço que nunca se viu
Feiticeira de fé perigosa
Queimando incenso e razão
Entre chacrona e mariri
Mistura amor e perdição
Sacerdotisa
Demônia que me amava
De alma antiga, ferida e sagrada
Ela reza e me profana
Sacerdotisa
Beija e me desarma
Faz do amor um campo de guerra
E do ódio, sua cama
Ela não pede, ela domina
Fala pouco, hipnotiza
Dedo na Glock, olhar felino
É fera, é dor, é ira
Onça albina de olhos verdes
Eco das selvas e das ruas
Carrega nas veias mil deuses
Carrega o inferno nas luas
Sem pai, sem mãe
Sem perdão, ela é só
Ela dança no abismo
E me leva pra lá, sem dó
O tempo não ajuda
Nunca ajudou
Trocou a alma por ouro
O presente conquistou
Mulher que não se brinca
Demônia que me amava
Má, madame satã
Má, madame satã
Ela diz que vendeu sua alma
Ela diz que vendeu sua alma
Ela diz que vendeu sua alma
Eu quem comprei, eu quem comprei
Não lhe disse, eu quem comprei
Txai mais que amiga, mais que irmã
A metade dela que habita em mim
A metade de mim que habita nela
Eva, Adão, a serpente e a maçã
Hoje, rezo teu nome em silêncio