Independente dos problemas, das correntes
Do sistema, dos emblemas, da hiena, da corporação
Da má alimentação, salsicha e macarrão
Todo dia, esgoto a céu aberto, subnutrição dos cria
No cálculo falho, me penduram no galho
Enquanto eu lustro o assoalho, eu me calo
Acumulo ódio, sou uma bomba de 40 megatons
De copão na mão, no baile dos megatron
O mundo avançou e eu fiquei na contenção
Pronto pra limpar a privada do meu patrão
Me sinto menos gente, me sinto menos homem
Eu posso ser um assassino, não me pressione
Os menor da favela pulam o corpo e vai pra escola
Volta na revolta, pulam o corpo e vai pra casa
Liga a TV e a TV assim falava
Toma Red Bull, Red Bull te dá asas
Guerra fria enfrento outros animais que nem eu
Despejados nessa miséria, o rico só enriqueceu
Morô meu, morô meu, os que entendeu, entendeu
Num quarto de despejo, eu grito favela venceu
Ran dan dan dan, Ra tá tá tá tá
(Risada)
Faça você mesmo
Faça você mesmo
Faça você mesmo
Seja você mesmo
Socão na mente, som bate de frente
Ideia quem tem as ruas sabem
O rap não é viagem
Tem alta voltagem
Faz os bico pula alto
Sobreviver no gueto exige tato
Um salve pras ruas do campo limpo
Todos meus manos quer sair do limbo
Joia, dinheiro seguindo o garimpo
Melhoria pra sempre objetivo
São Paulo é selva, todo tempo irmão
Não tem como ser pacífico
Desce a Diogo sentido esmera
Cuidado com a barca fitando na espera
Se tá com flagrante já sabe a ideia
Os menor é pinote sebo nas canela
Taboão, Salete, Record na viela
Uma mente pensante, trama na favela
Herança de King, vivência na Pele
Sangue de líder igual Malcom, Mandela
Se quer investir temos a fonte
De onde eu venho melhor do que eu, existe um monte
ESG é diversidade, é pauta relevante
Se não devolve pra favela, diga adeus ao seu sono de monge
Aí meu mano, se não for com dois pé na porta
Pra nós que é do gueto, nós não vai conseguir entrar não, sacou?
Faça você mesmo
Faça você mesmo
Faça você mesmo
Seja você mesmo
Criança não tem merenda e já conheceu o crack
Brenda's got a baby, já disse o Tupac
Com dom pra ser o William Shakespeare
Com ódio dos William Waack
A máquina não para de produzir Bin laden
De balaclava e cyclone o menor tá o tapa na cara
Escondendo o ódio na fala
E pros boyzão, é difícil de entender
Se o povo não ficar em casa, a sociedade para
A vida não é Looney Tunes
Aquele som pra vender no iTunes
Inspiração é o Jorge Ben, não o George Clooney
Mas Umi Says, o jogo puni
Do mesmo conto dos que acreditaram no Ricardo Nunes
Que bateu palma pra cultura de cá
Antes da eleição pros votos poder ganhar
Mas depois veio com sorriso no rosto e uma facada nas costas
Pronto para nos eliminar
Eu tô com dois latão de Brahma, ouvindo Rakim
No dia que eu confiar no sistema
Meu dog aprende a falar latim
Ouvi no Method Man, não o latino
Em qual mentira eu vou acreditar
Eles apostam no cassino
Azar ou sorte, é só jogar no tigrinho
Perder o dinheiro da semana e o influenciador tá rico
Um salve, do Marabá até o Esmeralda
Do Maria Sampaio ao Martinica, o rap salva
Sei que eu conheço que tem vários na quebrada
Com a mente brilhante para salvar a molecada
Faça você mesmo
Faça você mesmo
Faça você mesmo
Seja você mesmo
Menor na viela, igual Viola
Desenrola joga bola, gasta sola e ninguém olha
Vários no corre tem disposição de chegar canetando mandando na hora
E sem estrutura daora não decola
Mas olha pra nóis memo, várias joias
Melhor revolução é sempre a nossa
Nóis junto forga, os bico porsa
Se é nós por nós, então só cola
Nóis veio pra mudar a história
Com a velha escola, nóis estoura
Zona sul! É o Vs
Samam, Galo, Negrita, Poeta X
Com o Lc abrimos o Show do Dexter
Estouramo a boa na Ovo Manifest
Só investe, joga o cash, nóis merece
Inspirando a menorzada
Referência na quebrada com meu rap
Esquece
É só isso? Achei que teria mais dentro de você
A resistência não é sobre o nosso ego
E sim o quanto aguentamos a perder
Canto para ouvido que sente minhas dores
Vivo meus ódios, colecionei alguns amores
Cheio de rancores, adaptei as minhas dores
Resisti, reencontrei os meus valores
Me senti perdido quando vi um menor com o cachimbo
Muitos falando de castigo, só tinha nove
Só querendo motivo pra se sentir vivo
Outros querendo morrer pra ser visto
Canto com a base para derrubar o topo
Quem tá em cima quer quem tá embaixo morto
Sopro, sofro, não peço socorro nem corro
Não aguento bala, mas derrubo até uns três no soco
Escutei uma música, ganhei referência
Escrevi os versos, trouxe consciência
Não quero topo, eu quero o mundo todo, mano
O palco deles não é o que eu quero pros meus
Fé pro meu povo, ascensão do morro
Lá de cima se for ver nós tá mais alto que europeu
Ouvi dizer que o preto tem que tá no topo
Mas não vi bem assim
Quem tá no pódio tá em cima dos outros
Ouvi falar, nego é preciso vencer
Mas já vi de tudo de dentro do poço
E a corda no pescoço quem, pois pra vender?
E essa corrida quem estabeleceu, mano?
Essas fitas de vencer não é em vão
Criaram o topo pra poder tirar da base
Enquanto a base vira bate e morre na desilusão
Faça você mesmo
Faça você mesmo
Faça você mesmo
Seja você mesmo