Ê baião!
Zabumba marca, sanfona chama!
Na panela ferve a canja
Fogo baixo, conversa grande
Chega dizendo que manja
Sobe ligeiro e se expande
É palavra bem penteada
Muito brilho, pouca mudança
Quando aperta, quando cobra
Sai resposta que não alcança
Ô cumpanheira Janja
Mexe a canja, se esbanja
Fala firme, diz que manja
Mas no fim é lambança
Ô cumpanheira Janja
Se arranja, ganha panja
No baião do falatório
Promessa vai, não alcança
Tem viagem, tem plateia
Tem discurso bem marcado
Canja rala na tigela
Nome grande no recado
Muito gesto pra fotografia
Muito aceno pra esperança
O baião segue batendo
Mas a conta não balança
Ô cumpanheira Janja
Mexe a canja, se esbanja
Bate palma, faz a cena
Mas o prato não se arranja
Ô cumpanheira Janja
Fala mansa, voz que alcança
No compasso do baião
É conversa e lambança
Quando a sanfona descansa
E o terreiro fica em paz
A canja esfria na mesa
E o discurso fica pra trás