A terra se afasta
A carne se cala
Nada mais está aqui agora
Desperto leve demais pra tocar o chão
As paredes me atravessam sem reação
Não existe dor aqui, só o ar sem direção
Sou um risco transparente na escuridão
Ninguém me vê passar, e tudo bem assim
As correntes do mundo já não puxam pra mim
As lembranças que ferravam agora flutuam
E o que antes me queimava não sabe onde estou
O coração, dissolvido
O peso, esquecido
O medo, sumido
Eu sigo
Sem corpo, sem instinto
Sou a dama fantasma que nada sente
Ando entre vidas sem tocar em gente
As vozes do ontem não sabem me achar
Eu existo sem existir em lugar
Se fui alguém antes, ficou pra trás
No silêncio que me faz
Paz
Me olho nas vidraças e não vejo ninguém
É estranho ser livre sem lembrar de quem vem
A dor que carreguei agora dorme ao caixão
O mundo segue vivo, mas eu, não mais no tempo
O coração, dissolvido
O peso, esquecido
O medo, sumido
Eu sigo
Sem corpo, sem instinto
Sou a dama fantasma que nada sente
Ando entre vidas sem tocar em gente
As vozes do ontem não sabem me achar
Eu existo sem existir em lugar
Se fui alguém antes, ficou pra trás
No silêncio que me faz
Paz
E eu deslizo, sem voltar