Assim, quando casamos
Fomos embora pra capital
Atrás da vida dos sonhos
Deixando pra trás nossa terra Natal
Chegando na cidade grande
Nos deparamos com outra realidade
Bateu um arrependimento momentâneo
Como é que deixamos o Nordeste
Pra morrermos aqui de saudade?
Aos poucos, nossa vida
Seguiu o rumo dos demais
Saímos da casa dos tios
Construímos dois vãos pra trás
Com a chegada dos filhos
Tivemos que aumentar
Compramos o terreno ao lado
Com o dinheiro que conseguimos guardar
Hoje, com os filhos criados
Bate a saudade do meu lugar
Do mugido do gado
Do banho de açude
Do canto do sabiá
Aqui construí a vida
Mas foi na minha terra querida
Que deixei meu coração
Distante muitas léguas
Nunca esqueço do meu pé de serra
Do ronco do caminhão
Pra manter contato
Comprei um telefone
Todo feriado
Ligava pro orelhão
Distante, dois quilômetros
Quem atendia era um menino
Por favor, vá dar o recado à dona Maria
Diga que é seu filho
Alô, mamãe, como está o pai e meus irmãos?
Quando você vai vir aqui, meu filho?
Quando melhorar as condições
Hoje, depois de muitos anos
Estou voltando pro meu Ceará
Superei o desengano
De que não ia mais voltar
Relembrando a triste partida
Só Deus sabe como estou
Revejo toda a minha vida
Quem fui, quem hoje sou
Sou o mesmo sonhador
Que deixou o Nordeste com o coração ferido
Mas volta arrependido
Com alegria e com dor
Parti com o coração apertado
Mas volto aliviado
Pro meu Nordeste amado
Meu verdadeiro amor