No tempo das caravelas
Vento me trouxe de lá
Quem me tirou desse banzo
Foi tambor de mina, foi cacuriá
Por isso passa ligeiro
Com seu cortejo fugaz
Dançando pelo terreiro
Sem medo do amo nem do capataz
Licença, meu povo, licença
Licença pro meu boi passar
Ele voltou quando a lua de prata veio nos alumiar
E trouxe o urrou do boi no meio do coqueiral
Dorso bordado em fuxico de renda
Feito por mãos de sinhá
Veio de lá da Baixada
Onde a noite é quase dia
Onde os coqueiros se vestem
De prata da noite que a lua alumia
Noturnas mãos bordadeiras
Cantos dolentes no ar
Acalentaram o boizinho em seu colo
Bem antes de aqui chegar
Licença, meu povo, licença
Licença pro meu boi passar
Ele voltou quando a lua de prata veio nos alumiar
E trouxe o urrou do boi no meio do coqueiral
Dorso bordado em fuxico de renda
Feito por mãos de sinhá