Nunca tive escolha, só caminho torto
Quando te falta tudo, qualquer migalha é conforto
Aprendi cedo a sorrir com medo
Confundir ordem com cuidado, promessa com enredo
Makima falava e o mundo parava
Eu achava que era amor quando ela só mandava
Coleira invisível, mão na cabeça
Chamei de sonho algo que me atravessa
Eu faria tudo, nem pedia razão
Quando alguém te olha, você chama de salvação
Mas por trás do perfume e da voz delicada
Tinha o preço da alma numa frase ensaiada
Power entrou gritando na minha vida
Bagunçando a dor, zombando da ferida
Ela me ensinou que afeto também é guerra
Que quem ama some e deixa a terra
A risada dela ainda ecoa aqui
No silêncio sujo do que restou de mim
Não era romance, mas era real
Ela ficou quando tudo tava mal
Reze me beijou com pólvora nos lábios
Fez do coração um campo minado e vadio
Por um momento eu achei que dava pra fugir
Mas o amor dela tinha hora pra explodir
Toda mulher que eu quis
Levava algo quando ia
Eu só somando cicatriz
Achando que isso era poesia
Eu só queria amor, nem precisava ser eterno
Mas tudo que eu sinto vira dívida ou inferno
Me olha nos olhos, diz se é real
Ou se eu sou só mais um cão emocional
Me ensina a amar sem me usar
Sem me quebrar pra depois descartar
Se for pra doer, que doa com verdade
Porque mentira também vira crueldade
Hoje eu tento não tremer com voz suave
Mas ainda confundo carinho com chave
Quando alguém diz: Fica, meu peito dispara
Medo de corrente disfarçada de cara
Asa me olha sem ordem nem plano
Mas eu ainda estrago tudo por medo humano
Quero algo simples, mas não sei pedir
Quem nunca teve nada não sabe exigir
Amor não devia ser teste, contrato ou dor
Mas eu aprendi isso depois de tanto terror
Meu corpo virou campo de guerra emocional
Aprendi tarde que desejo não é igual
Se eu me apego rápido, não é fraqueza
É trauma vestindo roupa depressa
Eu não fui criado pra ser amado
Fui treinado pra ser usado
Mas se um dia alguém ficar sem querer nada
Sem ordem, sem troca, sem faca escondida
Talvez eu aprenda que viver é mais
Que sobreviver de migalhas
Não me promete céu se é pra puxar o chão
Não me chama de burro por querer afeição
Quem cresce sozinho aprende a morder
Mas também aprende errado a se proteger
Eu só queria amor, nem precisava ser eterno
Só alguém que não me transforme em inferno
Me olha nos olhos, não me desmonta, não
Eu não sou um contrato, eu tenho coração
Se for pra ficar, fica por ficar
Sem me controlar, sem me domar
Porque eu já sangrei demais por migalha emocional
E amar não devia ser sempre letal