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Ciranda da Sequela

Márcio Moreira

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Da minha mão direita
A verdade imperfeita de quem sou
Minha mãe me aceita
Devagar se deita em minha dor

Nasci da luta que me deu o nome dela
Sobrevivemos à um parto sem cautela
Ela sou eu e eu também sou um pouco ela
Numa ciranda que já nasce da sequela

Somos forjados pela fome e pela sede de existir
Como quem sabe que viver é logo ali
Não há limite pro que o corpo descobrir
Só o desejo poderá me definir

Viver exige resiliência
Eis a essência do que me resta
E nessa festa da aparência
Tenho ciência do que presta e o que não presta

Meu braço, curto feito a vida
Embaraça tudo o que é ferida
E abraça a alma comovida
Que não se rende na partida!

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