Qual é?
O papo aqui é sobre minha fé
Não me vem falar sobre tchan
Agora vou dizer
Menor, maior, respeite meu axé
Bem
Seu ódio te faz ser refém
Eu não posso ir a terreiro
Pois vou sofrer preconceito
Raspa o cabelo
Vão me irritar, perguntar
“Você é do Exu? ”
Claro, man, ele é meu orixá guia
Não vou mentir
Pois seu Deus também odeia mentira
E quem mente é filho do capeta
Mas calma nessa caneta
Não me chamo mais Vanessa
Ela foi quem fui
Não sou mais
Só quero axé e paz
Deixa meu branco de sexta
Eu não bebo nada quarta-feira
Segunda é dia de Exu
Minha folga espiritual e carnal
Não gostou? Muda de canal
Eu sou preto
Claro que depois de tanto ler e conhecimento
Eu seria Umbanda
Eu respeito todos os orixás
E sei me comunicar com quem eu consigo
O resto, não ligo
Sem sexo até eu me apaixonar
Já sofri demais por carne
E, olha, quero ser vegetariana
Sem mandar fazer sacrifício animal
E confesso com Exu
E com o pai e mãe de santo
Pra saber o que fazer
E meus irmãos e irmãs de terreiro
Um dia eu terei dinheiro
Ou não
Estou bem
Eu conheço a fome
E ela é minha amiga
Sou filho de Exu
E ser da matriz afro-brasileira ou indígena
Não é crime
Sua intolerância religiosa, sim
E aí, quem chama o advogado primeiro?
Então pense nisso
Tchau