Boa noite
Good evening
A arena de hoje tem uma certa
Patina
Londres
Meu palco, minha tela, minha obra-prima, minha sina
Os deuses me olham com nojo, a humanidade, com pavor
Eles veem um monstro, um assassino
Eu?
Eu vejo um artista, um curador de cor
Eu nasci num mundo cinza, de fome
Fuligem e prece não respondida
Mas meu olho direito
Ah, meu olho via a única beleza escondida
Via a cor da alma da minha mãe
Um dourado cálido, um brilho de amor
Um brilho que só surgia quando eu trazia pra ela um novo favor
Um livro, uma peça, um poema
O amor dela era uma transação
E no dia que eu vi a verdade, a cor dela mudou
Se tornou a cor da decepção
Naquele momento, naquela viela
Eu entendi a grande piada, o grande esquema
O amor é o mais belo dos embustes
E eu, o protagonista desse poema
Então eu a estrangulei
E vi a cor mais linda que já tinha visto
O dourado falso se partiu e deu lugar a um
Carmesim nunca antes descrito
O medo
O desespero puro
Ah, what a beautiful colour
Então, por favor, me mostre a sua cor
Deixe-me pintar a minha tela
Qualquer coisa em minha mão se torna um pincel divino
Uma faca, uma fivela
O meu Völund com a senhorita Hlökk
Não é uma arma, é a minha empatia
Eu a fiz sentir o medo mais puro
E nesse pavor, criamos nossa sinfonia
E agora, Hércules, Deus da fortaleza
Com sua justiça sem nenhuma fissura
Eu quero ver a cor da sua alma
Quero ver a beleza na sua bravura
Deixe-me ensinar a você, nobre Deus
Sobre o verdadeiro amor que a humanidade sente
O amor pelo desespero
A lesson in despair, my dear, seja um bom ouvinte
Ele luta pela justiça
Que adorável
Um conceito tão, imaculado
Ele vê a humanidade como algo a ser salvo
Eu a vejo como um vitral quebrado
Cada peça, uma mentira
Cada cor, uma dor
E eu sou o único que aprecia a arte
Ele usa a força bruta, os Doze Trabalhos
Que estúpida falta de requinte, de parte a parte
Eu uso a cidade
Cada prédio, cada fio
Cada pedra é uma armadilha, um verso
Ele avança, com seu amor inabalável
A cor da alma dele é um universo
Dourado
Puro
Insuportavelmente brilhante
Uma cor que eu não via desde, her
Uma cor que eu preciso macular
Uma cor que eu preciso fazer sofrer
Ele me golpeia, eu sorrio
Ele sangra, eu me curvo
It's all part of the play
Ele não entende que essa luta não é sobre força
É sobre a alma que se esvai
Com meu sangue divino, eu crio a minha obra-prima final, o meu ardil
Dear God
Um toque de ironia
Uma oração que o diabo proferiu
Ele cai, e mesmo na queda, a cor, não muda
O dourado do amor dele pela humanidade
Não se abala, não se iluda
Ele me abraça
Me abraça
Um Deus moribundo abraçando a escória
E me diz, que ainda ama a todos nós
Que fim patético para essa história
Ou, seria o clímax?
A cor dele, no último instante
Misturada ao medo da morte, ao desespero
Se tornou algo, fascinante
Uma nova cor
Uma que eu nunca vi
O amor que aceita a dor
Hércules, você
Você era a mais bela de todas as cores
A plateia vaia
Os deuses choram
A humanidade celebra uma vitória suja
E eu?
Eu apenas aprecio a minha arte
A beleza que da tragédia surja
Foi uma bela luta, um belo chá
Uma bela canção de ninar
London bridge is falling down, my fair lady
Agora, se me dão licença
Preciso limpar minhas luvas
A próxima peça irá começar