Sentado no vazio entre o tempo e o chão
Fecha os olhos tentando entender a razão
Quando abre, o silêncio responde outra vez
Nada mais resta
Só dúvida e talvez
Onde você está?
O eco devolve o medo em sua direção
Um mundo sem lógica, sem explicação
Não posso parar, nem fugir do que sou
Se o tempo me prende
Eu volto onde começou
Lembranças cortando como vidro na mão
Palavras antigas sem direção
Procure na origem
Ecoa no ar
Se não é o caminho
Então onde encontrar?
É lá
Onde o tempo se escondeu
Na cabana onde o passado morreu
Entre sombras e nomes que ninguém ouviu
O rio me chama
E ele seguiu
É lá
Onde a verdade se desfaz
Entre ossos que o tempo não traz
Se o fim chegou antes do começo existir
Então o destino
Voltou pra repetir
Passos cortando o vento e o pó
A cabana esquecida encara ele só
Cerca caída, madeira a ceder
Mas o mato respeita
Como se alguém fosse viver
Nenhum rastro, nenhum sinal
Um silêncio pesado, quase ritual
Ele para na porta, respira e diz
Se não há volta
É aqui que eu fiz
Chão de barro, paredes sem voz
O tempo passou
Mas não levou nós
Janelas fechadas, luz a morrer
Algo ali dentro
Insiste em viver
Meu Deus
O que é isso?
Quatro sombras sentadas na escuridão
Restos de vida presos na imensidão
Uma mesa, uma planta sem cor, sem raiz
E a morte parada
Como quem diz
Você chegou tarde demais
Esqueletos calados contando uma dor
Teias do tempo prendendo o horror
Um crânio caído, histórias no chão
Decapitado ou rendido à corrosão?
Quem são vocês? O que aconteceu?
O passado respira no que já morreu
Respira fundo
Não pode fugir
O passado chama
Obriga a assistir
O rio não é só um lugar
É um ciclo que insiste em voltar