Nunca vi sentido algum em vestir-se bem para ir trabalhar
Nem em dizer que sou merecedor de algo só porque eu trabalho muito
Se o exato contrário é a regra do mundo
E o dedicar-se é o abismo profundo
Do humilhar-se no descaso confuso
(Pago o seu salário!)
É o mantra obtuso
Não sinto felicidade nenhuma em ter os boletos pagos
Não tê-los é o que seria sim
Algum mínimo afago
É tudo pelo hortifruti, é tudo pra pagar o mercado
É tudo pra manter o rádio ligado
E escutar Zumbi do Mato e encontrar o substrato
Do contentamento imediato
É tudo pelo hortifruti, é tudo pra pagar o mercado
É tudo pra manter o rádio ligado
E escutar Zumbi do Mato e encontrar o substrato
Do contentamento imediato
Coleguismo, convivência, satisfação pela ação bem feita
Que prazeres ocultados pela película inquebrantável do trabalho
Tripalium card que eu mesmo tive que usar, amuado
Quase esquecendo, apoplético, que todo trabalho só pra viver é antiético
E o insistente coach que até a mãe penhora
Diz sem parar: Todo mundo tem as mesmas 24 horas!
E a veneziana entreaberta é só pra ver o quanto o Sol brilha lá fora
Enquanto gelados nos ar-condicionados as câimbras esticam
É tudo pelo hortifruti, é tudo pra pagar o mercado
É tudo pra manter o rádio ligado
E escutar Zumbi do Mato e encontrar o substrato
Do contentamento imediato
É tudo pelo hortifruti, é tudo pra pagar o mercado
É tudo pra manter o rádio ligado
E escutar Zumbi do Mato e encontrar o substrato
Do contentamento imediato