Quem terá posto esse lume
Nos olhos deste bagual?
Quando ele abre a garganta
Tem sinos de catedral
E a flauta de pã anima
Seu concerto universal
Quem terá talhado o jeito
E esboçado o seu semblante?
Seu cantar adentra ao peito
Quando se fala em rio grande
Implacável guerrilheiro
Que ganhou asas nos andes
Quem terá trançado os tentos
No Palácio Celestial?
O poema, a melodia
O nascer desse caudal
Que navega dos perfumes
Duma orquestra universal
Somos loucos sonhadores
Duas águias peregrinas
O meu verso, tua guitarra
O pampa nossa oficina
Dois parceiros da esperança
Pela América Latina
Quem tera tecido o poncho
Mulheres de istambul?
Teria sido Bibiana
E anita o tingiu de azul?
Ou serão cuentos do Blau
Deste Rio Grande do Sul?
Quem terá lido nos astros
A derroca do fuzil?
Quem sabe, foram condores
Pousados num alcantil
Ou um poeta e o minuano
Cantando ao sul do Brasil
Somos loucos sonhadores
Duas águias peregrinas
O meu verso, tua guitarra
O pampa nossa oficina
Dois parceiros da esperança
Pela América Latina