Quando eu ouço a acordeona
Logo corro pro salão
De lenço e bombacha
Eu me prego a dançar
Logo vejo uma gaúcha
Que me toma o coração
Vou até seu posto
E a tiro pra dançar
Mas se essa gaúcha
Vir falar em meu ouvido
Que não se interessou
E ousar de violência
Pode até que vá embora
Mas eu duvido
Que não bata minha porta
Conhecer minha querência
Se é que estou com as espora
Logo chamo para o mate
Sentar em minha varanda
E prosear até de tarde
Muito bem trajada
Ela vai ter que me ouvir
O couro vai comer
Se ela não voltar aqui
Quando chega anoitecer
Vou celar o meu cavalo
Pelos campos do rio grande
Eu passo a galopar
Atravesso os pampas
As montanhas e os riachos
Chego até a festança
Onde volto a bailar
Mas eu bailo a noite inteira
Taco fogo no salão
Perco o meu lenço
Chego a esquecer de mim
Mas quando eu tô atentado
Danço até o chão
Me entrego a sanfona
Nada é tão bom assim
Quando volta pra minha casa
Nos mato, é só grilo
Fico até meio tonto
De tanto dançar bailão
Mas pra mim não tem frescura
Beber não tem problema
Não importa a ressaca
Só importa a animação
Se é que faço festa
Eu derrubo as paredes
Gasto a sola da bota
Boto o berrante a gritar
Se alguém me interromper
Eu não sei o que é que eu faço
Se for uma donzela
Eu passo a laçar
Mas se for um mateador
Vindo me encher a cabeça
Cheio de milongas
De histórias e contos ao luar
Eu pego o meu chicote
E peço que desapareça
Porque a noite é sagrada
Eu só quero é dançar
Agora pra terminar
Vou deixar o meu recado
Quanto tiver um baile
Não esqueça de me convidar assim
Quando ouvir o meu berrante
Ou o relinxo de meu cavalo
Você vai saber
Você vai lembrar de mim
Pode ser no casarão
Lá no palco, ou no ctg
A dança é minha história
Sem a dança não vou viver
Se será que algum dia
O baile me deixar
Prepare o meu caixão
Que eu logo vou me deitar